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null Programa Trabalho Seguro na Paraíba alerta para cuidados com sintomas físicos e psicológicos do pós-covid

Entre os principais sintomas físicos da pós-covid estão fadiga, redução da capacidade respiratória e déficit de interpretação e cognição.

09/05/2022 - A Justiça do Trabalho, durante a campanha Abril Verde, que marcou o mês da prevenção dos riscos de acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais no país, destacou como tema as consequências da covid-19 na saúde de quem já se recuperou da condição.

De acordo com a médica do Núcleo de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (13ª Região), Cristiane Alexandre, entre os principais sintomas físicos do que ficou conhecido como síndrome pós-covid estão fadiga, redução da capacidade respiratória e déficit de interpretação e cognição. “Hoje em dia, a única ferramenta que temos é a vacina, que fez reduzir a mortalidade e nos permitiu sair de um estado crítico de pandemia que vivemos até o início deste ano”, afirmou.

No entanto, a profissional enfatizou que os cuidados em relação à prevenção da covid-19 devem ser mantidos, principalmente para aqueles que apresentam algum sintoma respiratório. “Mesmo com a liberação do uso da máscara, devemos ficar atentos aos pequenos sintomas. Quem estiver com algum sintoma, recomenda-se que use a máscara e evite contato próximo, especialmente no ambiente de trabalho”, frisou a médica Cristiane Alexandre.

Além de sequelas físicas, uma vez recuperado da covid-19, o paciente pode apresentar sintomas psicológicos. De acordo com a psicóloga do Nusa, Rosane Melo, além do estresse causado por quem teve a doença, principalmente nas formas graves que demandaram internação, existe o risco de desenvolvimento de sintomas como ansiedade, angústia, distúrbios do sono e depressão. Para quem já possuía algum tipo de transtorno psicológico antes de ser acometido pelo vírus, a tendência é de agravamento dos sintomas em decorrência do alto estresse sofrido com a doença. “Existem relatos, também, de problemas cognitivos, a exemplo de lapsos de memória, dificuldade de concentração e falta de orientação”, pontuou.

Assim, a psicóloga recomendou que os pacientes recuperados da covid-19 busquem fazer uma avaliação completa, de modo a investigar o surgimento de sequelas tanto na parte física quanto mental e cognitiva. “É alto o índice de relatos relacionados a dificuldade de fazer coisas simples, esquecimento de palavras, raciocínio mais lento e, até mesmo, reter informações na memória recente. Então, no caso de qualquer alteração percebida, deve-se buscar atendimento especializado, com profissionais como neuropsicólogos ou neurologistas. Além disso, é importante contar com uma rede de apoio que inclui família e pessoas mais próximas, para que se recupere, aos poucos, a rotina”, salientou, acrescentando a necessidade de recorrer a atividades que proporcionem bem-estar com a finalidade de auxiliar na reabilitação do quadro apresentado.

Acidente de trabalho

Uma das gestoras estaduais do Programa Trabalho Seguro na Paraíba, juíza Mirella Cahú, fez um alerta: a Covid-19 pode ser considerada como acidente de trabalho, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da ADI 6.342, suspendeu a eficácia do artigo 29 da Medida Provisória nº 927/2020, do Governo Federal. Ela explicou que, dessa forma, é preciso preencher determinados requisitos que configuram o acidente de trabalho segundo a lei, bem como analisar cada caso concreto. Uma delas, por exemplo, é comprovar que o trabalho pode ter sido fator contributivo para a contaminação com o vírus.

“Pelos elementos do trabalho, analisamos se o trabalhador está exposto a um risco maior de contaminação em relação a outros. Um exemplo fácil de verificar é o trabalhador da saúde que esteja atuando diretamente na linha de frente da Covid-19. Pressupomos que a contaminação neste local seja maior do que a sociedade em geral, então, a hipótese pode reconhecer que é acidente de trabalho pelas condições de trabalho daquele indivíduo”, explicou a magistrada.

Conforme acrescentou, uma vez que ocorre o reconhecimento da Covid-19 como acidente de trabalho, o trabalhador tem direito a garantia de emprego um ano após o retorno, bem como a manutenção dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e possível indenização do empregador em caso de culpa ou dolo, ou seja, há uma possível responsabilização do empregador.

“Outro aspecto bastante discutido, também, é que à época das medidas de restrição e isolamento, algumas atividades consideradas essenciais, a exemplo de farmácia e supermercado, seguiram funcionando normalmente durante a pandemia, gerando aos trabalhadores desses locais a liberação em relação ao isolamento. Então, eles tiveram maior exposição ao risco do que o cidadão comum, o que faz com que alguns avaliem ser possível reconhecer a Covid como acidente de trabalho nestes casos”, analisou.

Dados 

De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 2020 e 2021, o número de acidentes de trabalho na Paraíba aumentou 27% e as mortes de trabalhadores por acidentes subiram 35%. Em 2020, foram 2,3 mil notificações de acidentes de trabalho no estado, com 14 óbitos registrados e, em 2021, foram 2,9 mil ocorrências com 19 mortes.

Os dados apontam, também, que, do total de 2.939 acidentes de trabalho registrados na Paraíba em 2021, 43% ocorreram em João Pessoa, ou seja, 1.267 casos. Segundo o Observatório, em 2021, 1,6 mil trabalhadores na Paraíba foram afastados das suas atividades porque foram vítimas de acidentes de trabalho e 48 não retornaram porque ficaram inválidos e foram aposentados por invalidez.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social TRT-13 (Celina Modesto)