(11/06/2019)
Gabriel Corrêa da Silva, 18, começou a trabalhar com dez anos para ajudar no orçamento doméstico, em Poconé. Ganhava R$ 10 por semana para limpar uma casa e, desde então, nunca parou de trabalhar. Para divulgar os prejuízos que sofreu ele representa hoje os adolescentes no Conselho Estadual da Criança e Adolescente (Cedeca) e contou sua história durante a abertura do seminário “Trabalho Infantil: Fortalecimento da Rede de Proteção em Mato Grosso”, na manhã de segunda-feira (10).
O evento segue até esta terça (11) no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (MT), com a participação de cerca de 200 profissionais. As atividades são realizadas pelo Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti/MT).
O jovem contou que depois de atuar limpando casas, foi trabalhar a noite ajudando a vender espetinho e, em seguida, em um posto de combustível. Com o tempo, foi perdendo o interesse pelos estudos. “Eu achava que serviço era mais importante que a escola porque precisava ajudar em casa. Mas aprendi que não posso deixar a educação de lado. Eu retomei meus estudos e agora estou terminando o ensino médio”, contou ele, que hoje é ativista na área.
O evento teve ainda a participação do juiz auxiliar da Presidência do TRT e coordenador da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho (CETI), Ivan Tessaro. O magistrado defendeu a importante do combate ao trabalho infantil e explicou que a Justiça do Trabalho realiza diversas ações afirmativas para conscientizar a sociedade sobre o problema. “A parceria do TRT no evento de hoje é um exemplo disso”, explicou.
O auditor fiscal do trabalho, Valdiney Arruda, enfatizou que houve um aumento no trabalho infantil nos últimos anos. Segundo ele, a Superintendência Regional do Trabalho busca enfrentar essa realidade com diversas ações que visam manter os pequenos na escola. Segundo ele, o principal motivo do trabalho infantil é a vulnerabilidade econômica. “Existem hoje cerca de 3,5 milhões de crianças fora da escola no Brasil, segundo a Unicef, e muitas delas estão no trabalho precoce”, afirmou.
Valdiney Arruda detalhou ainda que conflitos familiares também estão entre as causas do trabalho infantil. Por esse motivo, o seminário reúne participantes das mais diversas áreas de atuações nos municípios de Mato Grosso. “Por isso a importância de discutir com os vários atores que lidam com a família e sociedade, por entender que essa chaga é um problema social que precisa ser discutida sob todos os aspectos”.
A palestra de abertura ficou a cargo da juíza e secretária executiva do Fepeti, Jaqueline Cherulli, que falou sobre o arcabouço normativo nacional e internacional sobre o trabalho infantil. Segundo ela, o evento busca envolver diversos profissionais para discutir o problema e encontrar soluções. “Temos aqui o desejo de construir algo melhor”, afirmou.
Seminário
O seminário é realizado para marcar a semana do dia 12 de junho, quando é comemorado o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. A intenção é articular com os profissionais das diversas instituições que atuam com a temática formas de proteger e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes em situação risco e vulnerabilidade social.
O evento conta com o apoio da Superintendência Regional do Trabalho (SRT/MT), da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setas), do Poder Judiciário de Mato Grosso, da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho (TRT de Mato Grosso), do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca) e da Comissão do Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB/MT).
Acesse aqui a programação completa. Veja também o álbum de fotos.
Fonte: TRT da 23ª Região (MT)

