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null Fechar os olhos para a exploração infantil significa hipotecar a esperança, diz papa em mensagem à Aparecida

Pelo quarto ano consecutivo, o Santuário Nacional de Aparecida, maior centro mariano do mundo, se une ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e ao Ministério Público do Trabalho na luta contra o trabalho infantil. Na manhã desta sexta-feira (12), Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, foi celebrada uma missa no Altar Central do Santuário em intenção das crianças e adolescentes para chamar a atenção dos órgãos públicos, da sociedade e das entidades sobre a necessidade de engajamento na luta contra essa chaga social, que atinge pelo menos 2,4 milhões de meninos e meninas entre 5 e 17 anos, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2016, do IBGE.

A campanha que mobiliza em âmbito nacional a Justiça do Trabalho, o MPT, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), recebeu o aval do papa Francisco por meio de uma carta enviada pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, ao reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre Eduardo Catalfo. “Fechar os olhos para a exploração infantil – de qualquer espécie – significa hipotecar a esperança”, assinala o líder da Igreja Católica.

Na mensagem, o papa Francisco afirma que “se une de bom grado às iniciativas promovidas pelo Santuário Nacional de Aparecida”. Segundo o Santo Padre, “trata-se de uma oportunidade para unir esforços em vista de erradicar essa chaga tão terrível que priva a tantas crianças do seu direito de ter uma infância saudável”. Francisco conclama os fiéis católicos e os demais cristãos a “trabalhar junto com instituições promovendo iniciativas concretas e eficazes para garantir e defender a dignidade daqueles que são mais frágeis” e finaliza a mensagem com um pedido à Nossa Senhora Aparecida para que “inspire e acompanhe todos os que estão comprometidos com esta nobre causa da erradicação do trabalho infantil”.

“O papa Francisco foi muito feliz ao mencionar que o trabalho infantil significa hipotecar a esperança,  já que o trabalho infantil é causa e consequência da miséria.  É o que impede o Brasil de avançar para o status de país desenvolvido.  O brasileiro precisa ter em mente que "toda criança é nossa criança". Nesse momento de pandemia precisamos ser mais solidários e exercer a empatia,  colocar-se no lugar do outro”, ressalta o presidente do Comitê Regional de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, desembargador João Batista Martins César, que também é gestor nacional do programa de erradicação do trabalho infantil da Justiça do Trabalho.

Durante a missa desta manhã, celebrada pelo padre Eduardo Catalfo, a jornalista da TV Aparecida Gabriela Leite fez a leitura da “Carta de Aparecida” pela erradicação do trabalho infantil. Com o título Erradicar o trabalho infantil: uma responsabilidade de todos, o documento alerta que o compromisso assumido pelo Brasil de acabar com o trabalho infantil até 2025 está longe de ser alcançado e aponta como principal entrave a falta de políticas públicas. “Muitas das crianças e adolescentes que são submetidos a essa exploração tornam-se vítimas do ciclo de desigualdades sociais no Brasil que colocam as classes vulneráveis à margem da sociedade”.

O documento reforça que as autoridades devem assumir a responsabilidade pelo grave problema do trabalho infantil e investir na educação. “É necessário entrar na agenda de governo como prioridade do Estado”, diz a carta. De acordo com as instituições que assinam o documento, essa responsabilidade deve ser compartilhada também com a própria população. “Todos devem estar envolvidos nesse processo de desenvolvimento humano de uma infância que busca apenas crescer de forma saudável e justa.”

Em sua explanação, o padre Catalfo reforçou a parceria do Santuário com o TRT em busca da defesa da vida, especialmente das crianças e adolescentes, dedicando o dia 12 de junho na Basílica não só à oração como também à mobilização pela erradicação do trabalho infantil. “As palavras da Carta de Aparecida fazem ressoar em nossos ouvidos esse compromisso que devemos assumir com coragem, o compromisso de criar situações e condições para que as crianças estejam de fato nas escolas e creches e nunca como vítimas do trabalho infantil”.

Fonte: TRT da 15ª Região (Campinas/SP)