(25/11/2019)
Trabalho infantil não é brincadeira. Esse foi o lema da 6ª edição da corridinha de rua do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), realizada na manhã deste sábado (23), com largada em frente ao Fórum Trabalhista de Goiânia. Cerca de 300 crianças de 2 a 14 anos participaram do evento, nas modalidades velocípede e corridinha com percursos de até 800 metros.
A competição esportiva, aberta a toda a comunidade, reuniu pais e filhos, avós, tios e os amiguinhos que acompanharam a disputa em que, na verdade, todos ganham. O objetivo é trazer a vivência no esporte às crianças desde pequeninas para melhorar a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, ampliar a conscientização acerca dos malefícios do trabalho infantil, proibido pela constituição brasileira (art. 7º, inc. XXXIII).
“Esse é um momento muito especial em que o Tribunal e a Justiça do Trabalho da 18ª Região (GO) se abrem à comunidade para chamar a atenção para temas muito relevantes. O tema dessa corridinha é um alerta aos malefícios do trabalho infantil”, afirmou o presidente do TRT, desembargador Paulo Pimenta, momentos antes da largada, ao destacar o lema da corridinha deste ano. Ele ressaltou a importância de se proporcionar uma infância saudável a todas as crianças, preparando-as por meio da educação e momentos lúdicos, para que tenham um desenvolvimento saudável e que sejam preparadas para ingressar no mercado de trabalho no momento adequado.
Corrida contra o trabalho infantil
Andreah Nochang é atletista há mais de quatro anos. Ela leva o filho Gabriel para correr com ela desde quando ele era um bebezinho e ela corria empurrando o carrinho. Hoje foi a vez dele correr com as próprias pernas. “Eu gosto muito de correr” afirmou o garotinho, feliz com a medalha, seguindo o exemplo da mãe. “Eu acho que o esporte faz a criança participar do coletivo e tira ela da rua, porque se você tá na rua e não tem um foco, você acaba indo para o trabalho. No esporte, não, a criança está ali com a comunidade, se desenvolvendo”, afirmou Andreah.
A tradicional corridinha surgiu em 2014 com o objetivo de realizar uma ação voltada para as crianças do ponto de vista educativo, do esporte, do lazer e da interação. A secretária do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem do Tribunal, Lara Nercessian, afirmou que o programa tem uma série de ações para promover um diálogo com a sociedade. Ela explicou que desde a primeira edição da corridinha, o programa traz um grupo de crianças de escolas públicas da periferia de Goiânia e cidades do entorno.
“Com o projeto, essas crianças têm a oportunidade de interagir nesse ambiente do Tribunal. Para elas tem um significado enorme. Muitas delas não saíram nem do próprio bairro. Então participar de um evento como esse leva dignidade a essas crianças e ao mesmo tempo cria-se um diálogo com a sociedade”, afirmou, destacando que quem participa leva essa mensagem de que o importante para a criança é sua formação educacional.
Oportunidades
O diretor do Centro de Educação em Período Integral (Cepi) Parque Santa Cruz, Edmilson Nogueira, afirmou que essa iniciativa é muito importante para os alunos da escola, que são crianças carentes da região Sul de Goiânia. “Eles quase não tem oportunidade de participar de uma atividade desse porte que o Tribunal oferece. É um exemplo para que nossos alunos, desde essa idade, comecem a pensar que o importante é estudar e não começar a trabalhar desde cedo, como muitos pais acham que deve ser”, afirmou o professor.
Kemilly, de 13 anos, é uma das alunas da escola que está cursando o 9º ano do ensino fundamental e ficou muito animada com a competição. “Eu gosto muito de correr, jogar futebol. Para mim é muito bom”, afirmou a garota que atua como goleira nos jogos da escola. Ela explicou que essa é a segunda vez que participa do projeto e novamente ficou em segundo lugar na sua categoria de idade. “Eu penso que primeiro tem que aproveitar a infância, né, porque depois vai ser tarde e não vai dar pra aproveitar. O trabalho atrapalha”, refletiu a menina do Cepi Santa Cruz sobre a importância do combate ao trabalho infantil.
Sua colega Maria Clara, de 14 anos, gosta de jogar na posição de zagueira na escola e também acredita que o trabalho precoce atrapalha os estudos. “Eu acho que a criança tem que esperar, porque depois ela foca no trabalho e não foca nos estudos, ai fica ruim, a criança reprova, né?”, afirmou Maria Clara, que tem o sonho de fazer faculdade de Odontologia.
Vários servidores do TRT também trouxeram os filhos para incentivá-los no esporte. Esse é o caso do servidor IL José, diretor da Divisão de Relacionamento e Atendimento de TIC, que trouxe os dois filhos, Marcelo e Estela. Neste domingo será a vez dele correr pela primeira vez na Corrida 10 Milhas do TRT. Ele contou que este ano correu um total de 1.100 quilômetros e já participou de três meias maratonas. IL José tem boas expectativas para sua estreia, mas acredita que o favorito continua sendo o servidor Sidney Pereira, diretor da 2ª Vara do Trabalho de Aparecida de Goiânia, que corre já há muitos anos e levou a medalha de ouro no ano passado.
A Corrida 10 Milhas TRT acontece na manhã deste domingo (24) às 7 horas da manhã, também com largada em frente ao Fórum Trabalhista de Goiânia. A décima edição da Corrida TRT tem como slogan “Justiça do Trabalho – Assédio, Não!” para conscientizar o público a respeito do prejuízo causado pelas práticas de assédio no trabalho e promover um ambiente de trabalho saudável. Os percursos seguem o mesmo formato dos últimos dois anos, com distâncias de 3, 6 e 10 milhas, o que representam aproximadamente 5, 10 e 16 quilômetros, respectivamente.
Fonte: TRT da 18ª Região (GO)

