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Vontade de viver

Quatro pessoas posam sorrindo em uma pista de atletismo, duas delas em cadeiras de rodas, em um ambiente esportivo ao ar livre que transmite inclusão e convivência.
Primeira equipe de paraatletas da ONJF

18/12/2025 - Imagine acordar e, dentro de casa, conseguir viver com certa autonomia, mas ao abrir a porta, se deparar com obstáculos que te impedem de exercer até as atividades mais básicas. Imagine, por exemplo, que ao sair de casa você encontra um degrau que não consegue descer. Depois de muito esforço, vence a escada, mas não consegue caminhar pela calçada, que é esburacada, sem qualquer sinalização e, muitas vezes, acaba no meio do percurso.

Imagine que, depois de tanto empenho, você supera essas barreiras e consegue chegar à faculdade. Mas ali há mais degraus (como aqueles que você pensou já ter vencido mais cedo) e eles são a única forma de acessar a sala de aula. Você não entende o que o professor diz, nem consegue enxergar o que está escrito. No meio da aula, precisa ir ao banheiro, mas é melhor esperar chegar em casa, porque o banheiro da instituição é inacessível a você.

Imagine ter que enfrentar tudo isso diariamente até chegar o grande dia de prestar um concurso público. Na seleção, há algumas adaptações que te permitem fazer a prova. Você é aprovado e comemora o emprego dos seus sonhos. A posse é bonita, todos te aplaudem por chegar até ali. Mas, logo no primeiro dia de trabalho, percebe que não há como exercer suas funções. Há degraus para acessar o prédio, não existe sinalização indicando para onde ir e ninguém consegue se comunicar com você.

Ultrapassar barreiras

Essa realidade talvez não seja a sua, mas ultrapassar obstáculos (arquitetônicos, comunicacionais, tecnológicos e atitudinais) faz parte do cotidiano de 7,3% da população brasileira, aproximadamente 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

E entre essas pessoas estão a Ekaterini Sofoulis, assessora-chefe da Assessoria de Acessibilidade e Inclusão (Acesi) do TST; a Juliana de Castro, filha da servidora da Coordenadoria de Desenvolvimento de Pessoas (Cdep), Cláudia de Castro; e a Luciane Pitombo, irmã da coordenadora de formação da Enamat, Cristiane Pitombo.

Para as pessoas com deficiência (PcD) e seus familiares, reconhecer as diversas barreiras que existem na vida de uma pessoa com deficiência já é um grande avanço, mas as discussões sobre inclusão e acessibilidade ainda precisam avançar. 

“Antigamente não havia arcabouço jurídico nenhum. Era a luta da família pela pessoa. Hoje estamos em um momento muito melhor. Agora precisamos avançar em mentalidade social. Tem muita gente que acha que está fazendo um favor para essas pessoas. Incluir não é apenas cumprir cota. Nós temos que nos preparar para acolher, de fato”, enfatiza a servidora Cristiane Pitombo. 

Uma atleta, Ekaterini, em cadeira de rodas se desloca pela pista de atletismo durante uma prova, sorrindo e usando número de identificação no peito. Ao fundo, aparecem outras participantes e o público acompanhando o evento, em um ambiente esportivo ao ar livre.
Inclusão na ONJF

Ekaterini Sofoulis, assessora-chefe da Acesi, usa cadeira de rodas desde que sofreu um acidente de carro aos 11 meses de idade. Para ela, a inclusão é a possibilidade de convivência entre pessoas com e sem deficiência em diferentes contextos. Neste sentido, a convivência só se concretiza quando existem adaptações que permitam que todos usufruam das mesmas oportunidades. “Nos diversos contextos, é fazer com que pessoas com diversas deficiências possam estar no mesmo espaço com pessoas sem deficiência”, explica.

Foi justamente a partir dessa compreensão que Ekaterini decidiu participar da Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF). O evento aconteceu entre os dias 20 e 26 de setembro em Foz do Iguaçu (PR). Apesar de ter sido a 22ª edição da competição, foi a primeira vez que foram realizadas provas exclusivas para PcD, as chamadas “modalidades paralímpicas”. Foram duas provas: 100 e 200 metros no atletismo. 

A participação da servidora aconteceu pela primeira vez este ano, a partir de um desejo pessoal e simbólico. Ela conta que queria poder vivenciar a experiência esportiva em igualdade de convivência com os demais atletas. Segundo relata, o ponto central não era o desempenho, mas o direito de participar. Para muitas pessoas com deficiência, o desafio começa muito antes da competição. “A pessoa com deficiência não consegue nem estar no espaço. Não diz respeito ao seu melhor. Como você vai ser melhor se aquele ambiente não é feito para você?”.

As provas foram realizadas com cinco participantes na primeira disputa e três na segunda. “Éramos de deficiências totalmente diferentes que não colocava a gente em pé de igualdade. Esse ainda não é o ideal, mas éramos todas pessoas com deficiência e a gente quis dar um simbolismo para esse início”, afirmou a assessora-chefe da Acesi, que conquistou duas medalhas de ouro. 

Comitê paralímpico

A partir da mobilização de Ekaterini, e da necessidade de criar provas exclusivas para PcD para que pudessem competir com equidade, foi criado também o Comitê Paralímpico, com a finalidade de articular iniciativas para as próximas competições. A equipe é presidida por Ricardo Oliveira da Silva, do TRT da 13ª Região (PB) e composta por Ekaterini Sofoulis (TST), José Carlos de Oliveira, do TRT da 3ª Região (MG) e Deven Miller, do TRT da 7ª Região (CE).

O comitê criou um banco cadastral de pessoas com deficiência interessadas em participar das próximas edições da ONJF. “Estamos avaliando de que forma a gente pode ampliar. E ampliar envolve dar as condições para as pessoas estarem dentro e fora da competição. Não é só criar provas”, defende Ekaterini. Uma pessoa cega, por exemplo, precisa de um acompanhante sem deficiência visual para correr. E pessoas com outras deficiências também precisam de apoio para além dos jogos. 

Atleta, amiga e mãe 

Foi Cláudia de Castro, servidora da Cdep, quem apoiou Ekaterini durante a viagem. Apesar de treinar corrida, Cláudia nunca havia competido na ONJF e sentiu-se motivada a participar depois do convite da colega. Para ela, que conquistou a medalha de bronze em 5.000m rasos, a participação no evento “foi uma experiência única”.

A servidora conta que no ambiente de competição os acessos para pessoas com deficiência não apresentavam grandes barreiras. Por isso, Ekaterini conseguiu realizar as suas atividades sem depender da colega. Fora das pistas de corrida, porém, Cláudia afirma que “a forma de acessibilidade ainda não é suficiente para que todas as pessoas com deficiência possam participar. Para que haja inclusão, a acessibilidade precisa acontecer em todos os espaços”. 

Duas mulheres sorriem em uma selfie ao ar livre, em um dia ensolarado. Uma delas segura uma medalha no peito, em um evento esportivo, enquanto ao fundo aparecem outras pessoas e estruturas do local da competição.
Cláudia e Ekaterini

Além de conviver com pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, Cláudia é mãe de Juliana Castro, de 28 anos, diagnosticada com atraso global de desenvolvimento (AGD), uma condição em que há um atraso significativo em diferentes áreas do conhecimento. 

Como mãe de uma pessoa com deficiência, ela afirma que a inclusão é “colocar a pessoa naquilo que ela quiser fazer, e não arranjar alguma coisa que ela possa participar em razão da sua deficiência. Não é apenas estar, é permitir que a pessoa participe de acordo com o que ela tem interesse”. 

O papel da família (e de todos)

Cristiane Pitombo, coordenadora de formação da Enamat, sabe bem o que é inclusão (ou a falta dela). A servidora é irmã de Luciane Pitombo, que sofreu paralisia cerebral ao nascer e, por isso, teve as suas funções motoras comprometidas, mas a parte cognitiva foi preservada. Cristiane sempre esteve ao lado da irmã na luta pela possibilidade de participação e desenvolvimento. 

“Inclusão é garantir que essas pessoas possam participar da sociedade como qualquer outra. Não é a pessoa com deficiência que deve se adequar a sociedade, é a sociedade que deve se adequar a pessoa com deficiência. É dever do Estado, é dever da sociedade e é dever da família. Dentro da minha casa a gente faz valer isso o tempo todo”.

Cristiane conta que seus pais, Eleuza e Carlos Antônio Pitombo, sempre se esforçam para que a filha Luciane fosse incluída nas atividades em todos os espaços. Para ela, quando o ciclo de convivência de uma pessoa não oferece um ambiente favorável ao crescimento, esse crescimento não acontece, e isso vale para qualquer pessoa. 

Luciane Pitombo, 45 anos, concluiu o ensino médio, fez faculdade e prestou concurso público. Atualmente, é servidora da Secretaria de Educação do Distrito Federal. “Meus pais tiveram um papel fundamental na construção da autonomia e na conscientização da família como um todo. A família tem um papel importante nesse processo, pois é com quem a PcD terá o primeiro contato”, afirma Cristiane. 

Incluir para quê?

Imagine um álbum de figurinhas composto apenas por uma figurinha repetida inúmeras vezes. Ou uma equipe em que todos tenham o mesmo talento e, por isso, desempenhem a mesma função. Nesse cenário, o álbum permaneceria sempre incompleto e muitas tarefas da equipe deixariam de ser realizadas. 

Nesta perspectiva, a servidora Cristiane defende que a inclusão de pessoas com deficiência é benéfica para toda a sociedade, não apenas “para quem é incluído”. “Quando temos uma equipe plural e diversa, é possível reunir habilidades distintas que se somam”.

“Convivi a vida inteira com pessoas com diferentes tipos de deficiência e isso ampliou minha percepção sobre o que é ser diferente. É importante reconhecer que a diversidade existe e que não precisamos limitar nossas próprias diferenças. Cada pessoa é única. Ao entender isso, passamos também a ser mais compreensivos conosco. É transformador perceber que há muitas maneiras de existir; todos nós ganhamos com isso”, enfatiza Cristiane. 

Para Ekaterini Sofoulis, o importante é que as pessoas com deficiência percebam que podem estar em qualquer espaço e participar de qualquer atividade. Ela ressalta a importância de se permitir experimentar e de ter o desejo de viver. “O desejo das pessoas com deficiência é poder viver, sem precisar vencer barreiras o tempo todo”.

Servidores do TST em visita ao projeto Vela para Todos

                                                Servidores do TST em visita ao projeto Vela Para Todos

Projeto Vela Para Todos

No dia 29 de novembro, servidoras e servidores do TST participaram de uma visita experiencial ao Vela Para Todos, iniciativa realizada em parceria com a Acesi e com apoio da Astrisutra. A atividade integrou a programação comemorativa do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3/12) e do Dia Nacional da Acessibilidade (5/12).

O Vela para Todos foi criado para proporcionar a pessoas com deficiência a oportunidade de vivenciar a navegação em embarcações adaptadas e totalmente seguras. 

Durante a visita, os participantes puderam conhecer de perto a rotina do trabalho voluntário e experimentar, na prática, as técnicas básicas de vela. A imersão permitiu ainda refletir sobre o impacto transformador do esporte na autonomia, inclusão social e qualidade de vida das pessoas com deficiência. 

TST apoia campanha e desenvolve ações para enfrentar o capacitismo

O Tribunal também apoia a campanha Combata o Capacitismo, do Ministério dos Direitos Humanos.

O TST também disponibiliza o guia É capacitismo, e você deve saber, que traz uma série de alertas sobre comportamentos capacitistas e alerta sobre como as pessoas podem enfrentar essa forma de preconceito contra as pessoas com deficiência. 

(Sofia Martinello/JS)

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TST amplia parceria com Apae e reafirma compromisso com inclusão


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