Conheça iniciativas pioneiras que inspiram cultura sustentável do TST
Do reaproveitamento do papel à compostagem, ações se consolidaram como política institucional

24/10/2025 - Antes de alcançar reconhecimento nacional como referência em sustentabilidade, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) construiu uma trajetória marcada por iniciativas pioneiras e criativas.
Esse reconhecimento institucional é fruto de um esforço coletivo iniciado há mais de três décadas, sustentado pelo engajamento de gestões e servidores comprometidos com a responsabilidade socioambiental. Com o tempo, a adoção de práticas sustentáveis no dia a dia da Corte foi se consolidando até se transformar em parte da cultura da instituição.
Mas de onde surgiram essas ideias? Como pequenos gestos se transformaram em política institucional? Parte da resposta está na própria definição de sustentabilidade, isto é, na capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as futuras gerações. Mais que um conceito, trata-se de uma estratégia que exige mudança de mentalidade, inovação e criatividade.
No TST, essa mudança começou quando servidores passaram a enxergar no próprio ambiente de trabalho oportunidades de reduzir impactos ambientais e utilizar, de forma consciente, os recursos públicos.
Descarte de papel
Ainda nas décadas de 1980 e 1990, quando o Tribunal funcionava no Setor de Autarquias Sul e a gráfica, no Setor de Armazenamento e Abastecimento Norte (SAAN), um grupo de servidores observou o desperdício de papel na gráfica. Adalberto Alves Silveira, Maria dos Reis e Terezinha de Jesus dos Santos perceberam que uma grande quantidade de folhas era descartada diariamente e decidiram dar destino ao material.
Foi Terezinha quem fez o primeiro contato com a empresa Novo Rio Papéis. “Eu liguei para a gerente, e ela explicou que os papéis serviam para reciclagem. Passamos a coletar, colocar as lixeiras nos setores e, toda semana, a empresa buscava”, relembra.
A quantidade era tão expressiva que, mensalmente, uma van inteira era preenchida apenas com papel picado.
Ela destaca que, naquela época, a consciência ambiental não tinha a mesma dimensão atual. “Hoje, o Tribunal está mais desenvolvido, as pessoas estão mais esclarecidas. Antes, não havia o entendimento que temos hoje. Agora, fala-se, muito mais, em meio ambiente e sustentabilidade”, observa.
O cuidado com o aproveitamento de recursos também se estende à sua vida pessoal. “Na minha casa, eu reciclo tudo: garrafas, potes de iogurte, caixas de papelão. Eu separo tudo, já é automático. Aprendi com meus pais”, diz. Para ela, mudanças reais dependem do protagonismo individual. “Se cada um fizer sua parte, uma hora, muda. O impacto é de um em um. É preciso olhar para o futuro. Se poluímos e maltratamos hoje, estamos prejudicando a nós mesmos.”
Adalberto, Maria e Terezinha trabalharam na gráfica até 2001. Depois da saída deles, outros projetos ambientais ganharam corpo, e a sustentabilidade foi institucionalizada como política oficial do Tribunal. Hoje, Adalberto e Maria estão aposentados. Terezinha continua ativa, no Núcleo de Policiamento Ostensivo (NPOL).
Blocos de anotação
Com a mesma proposta de reaproveitamento de papel, o servidor Fábio José da Silva, que integra o quadro do TST desde 1983, trabalhou na área de sustentabilidade entre 2013 e 2018. Ele reforça a ideia de que quem vivencia o dia a dia da instituição está mais apto a identificar demandas e propor soluções práticas.
Foi a partir dessa vivência que o servidor observou a necessidade dos profissionais da recepção do Tribunal por papel para anotações, mas enfrentavam escassez do material. A solução encontrada foi simples e eficaz: separar folhas usadas com pouco aproveitamento para reutilização.
Fábio passou a reunir essas folhas em caixas, que eram revestidas com capas de pastas de antigos processos físicos, hoje digitalizados. As caixas foram distribuídas entre os setores interessados na iniciativa.
A dinâmica era colaborativa, isto é, os servidores depositavam os papéis a serem reutilizados nas caixas, que eram recolhidas periodicamente. Em seguida, o material era encaminhado à gráfica do Tribunal, responsável por cortar as folhas em diferentes tamanhos e transformá-las em blocos de anotação. Os blocos eram, então, distribuídos de volta aos setores que contribuíram com a coleta.
“A gente pode transformar o lixão em um não-lixão por meio da separação dos resíduos orgânicos e recicláveis. O não-lixão, na minha opinião, é isto: o orgânico vira adubo e os recicláveis ganham valor econômico”, opina.
Compostagem com borra de café
Outro avanço surgiu em 2011, com a criação do projeto de compostagem, sob a coordenação do servidor Guilherme Felipe da Silva. Até então, a manutenção dos jardins do TST dependia exclusivamente de adubação química.
O processo começou com restos de poda e, em seguida, incorporou a borra de café, reconhecida popularmente e validada em estudos técnicos como fertilizante eficiente. Coletores foram instalados nas copas, e a equipe de limpeza passou a encaminhar o resíduo para a área de compostagem.
A prática ganhou visibilidade em 2016 e 2017, quando Jomar Pereira, então chefe da área de sustentabilidade, passou a divulgar a iniciativa em outros órgãos. O esforço resultou em parcerias com o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e o Superior Tribunal Militar, que passaram a doar borra de café ao TST.
Hoje, a Corte produz cerca de duas toneladas mensais de borra para compostagem. O processo, que leva de 90 a 120 dias, resulta em adubo de alta qualidade.
O impacto extrapolou os muros do Tribunal. Inspirado pela experiência, Jomar levou o conhecimento para sua vida pessoal. Em um sítio adquirido por ele, cultiva milho, mandioca, frutas e hortaliças apenas com adubação orgânica. “Eu recolho borra em padarias e cafeterias que não têm espaço para compostagem. Assim, evito que o material vá para aterros”, explica.
Além de produzir e vender hortaliças por meio de uma comunidade em aplicativo de mensagens, Jomar também ministra palestras sobre compostagem em órgãos públicos.
(Sofia Martinello/GS/JS)
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