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Seminário em Mato Grosso reúne cerca de 200 profissionais para debater o combate ao trabalho infantil

(12/06/2019)

Gabriel Corrêa da Silva, 18, começou a trabalhar com 10 anos para ajudar no orçamento doméstico, em Poconé. Ganhava 10 reais por semana para limpar uma casa e, desde então, nunca parou de trabalhar. Para divulgar os prejuízos que sofreu ele representa hoje os adolescentes no Conselho Estadual da Criança e Adolescente (Cedeca) e contou sua história durante a abertura do seminário “Trabalho Infantil: Fortalecimento da Rede de Proteção em Mato Grosso”, na manhã de segunda-feira (10).

O evento segue até esta terça (11) no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (MT), com a participação de cerca de 200 profissionais. As atividades são realizadas pelo Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti/MT).

O jovem contou que depois de atuar limpando casas, foi trabalhar a noite ajudando a vender espetinho e, em seguida, em um posto de combustível. Com o tempo, foi perdendo o interesse pelos estudos. “Eu achava que serviço era mais importante que a escola porque precisava ajudar em casa. Mas aprendi que não posso deixar a educação de lado. Eu retomei meus estudos e agora estou terminando o ensino médio”, contou ele, que hoje é ativista na área.

Participações

O evento teve ainda a participação do juiz auxiliar da presidência do TRT e coordenador da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho (CETI), Ivan Tessaro. O magistrado defendeu a importante do combate ao trabalho infantil e explicou que a Justiça do Trabalho realiza diversas ações afirmativas para conscientizar a sociedade sobre o problema.  “A parceria do TRT no evento de hoje é um exemplo disso”, explicou.

O auditor fiscal do trabalho, Valdiney Arruda, enfatizou que houve um aumento no trabalho infantil nos últimos anos. Segundo ele, a Superintendência Regional do Trabalho busca enfrentar essa realidade com diversas ações que visam manter os pequenos na escola. Segundo ele, o principal motivo do trabalho infantil é a vulnerabilidade econômica. “Existem hoje cerca de 3,5 milhões de crianças fora da escola no Brasil, segundo a Unicef, e muitas delas estão no trabalho precoce”, afirmou.

O auditor detalhou ainda que conflitos familiares também estão entre as causas do trabalho infantil. Por esse motivo, o seminário reúne participantes das mais diversas áreas de atuações nos municípios de Mato Grosso. “Por isso a importância de discutir com os vários atores que lidam com a família e sociedade, por entender que essa chaga é um problema social que precisa ser discutida sob todos os aspectos”.

A palestra de abertura ficou a cargo da juíza e secretária executiva do Fepeti, Jaqueline Cherulli, que falou sobre o arcabouço normativo nacional e internacional sobre o trabalho infantil. Segundo ela, o evento busca envolver diversos profissionais para discutir o problema e encontrar soluções. “Temos aqui o desejo de construir algo melhor”, afirmou.

Seminário

O seminário é realizado para marcar a semana do dia 12 de junho, quando é comemorado o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. A intenção é articular com os profissionais das diversas instituições que atuam com formas de proteger e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes em situação risco e vulnerabilidade social.

O evento conta com o apoio da Superintendência Regional do Trabalho (SRT/MT), da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setas), do Poder Judiciário de Mato Grosso, da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho (TRT de Mato Grosso), do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca) e da Comissão do Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB/MT).

Acesse aqui a programação completa. Veja aqui a reportagem de TV. Confira também o álbum de fotos.

Fonte: TRT da 23ª Região (MT)