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Circuito funcional no RJ leva atividade física para cadeirantes

O projeto Circuito Funcional Adaptado tem levado exercícios de forma gratuita para cadeirantes, todos os sábados, no entorno do estádio do Engenhão, na Zona Norte do Rio. A idealizadora do projeto e professora de educação física, Larissa Barranco, conta que a proposta é tirar os deficientes físicos do sedentarismo, levar saúde e qualidade de vida através de atividades.

"Entrei nesse mundo da inclusão e acessibilidade depois de fazer um curso de especialização de atividades físicas para cadeirantes em 2015 e, desde então, sempre me incomodei em não ver as pessoas com deficiência praticando atividades físicas com tanta frequência em academias e, principalmente, em espaços ao ar livre", comenta Larissa, que resolveu criar o Circuito Funcional Adaptado em 2016, projeto social que conta com trabalho voluntário de professores de educação físicas e estagiários.

Aulas

Durante as aulas, que se iniciam às 8h30, os alunos podem fazer atividades que melhoram a capacidade funcional de cada um, com exercícios de força, agilidade, velocidade, potência e equilíbrio.

Cerca de 10 alunos participam assiduamente das aulas. Alguns saem de regiões distantes, como Campo Grande, na Zona Oeste; São Gonçalo, na Região Metropolitana e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para participar do projeto, que é mantido atualmente por meio de financiamento coletivo e vaquinhas online. Para os interessados em participar das aulas basta comparecer ao local nos dias das aulas.

Meta

"O que conseguimos juntar ainda é muito pouco para o quanto desejamos alcançar. A nossa meta é crescer mais, poder ofertar essas aulas mais vezes na semana, levar esse projeto para mais pontos do Rio e também para outras grandes cidades", declara a profissional.

Deficiente físico desde os 10 anos de idade, Felipe Leite, hoje com 40 anos, conta que melhorou sua qualidade de vida desde que começou a fazer o circuito adaptado.

"Emagreci, melhorei qualidade de vida. Todo mundo tinha que fazer isso. É importante também para conhecer as histórias de outras pessoas, ficar forte para poder andar nas ruas, enfrentar buracos, passar pelas calçadas sem pavimentação, enfrentar lugares sem elevador. Enfim, é importante para vida, para o dia a dia e para saúde", revela Felipe, que torce para que o projeto seja ampliado para outros locais.

"Por conta da lesão, eu não tenho muito equilíbrio, então os exercícios que trabalham isso são os mais difíceis para mim. E nunca tinha visto nada parecido com esse projeto e a gente cansa de procurar. Essa iniciativa de graça, que envolve tanta gente, toda semana, é uma coisa incrível e que deveria ter em toda a cidade", sugere.

Alternativa 

Carlos Alberto Carvalho, de 49 anos, aproveita as aulas para fugir do sedentarismo e de uma possível depressão. Ele perdeu os movimentos da perna em 2011, após ser baleado durante um assalto.

"Hoje, tenho uma vida muito melhor. Se não fosse o projeto, eu estaria dentro de casa sentado ou deitado o dia todo na cama, sem ter o que fazer num dia de sábado. Por isso que eu faço questão, mesmo morando em São Gonçalo, de vir participar do grupo", declara Carlos Alberto.

Dores

O ex-atleta profissional Marcio Meirelles, de 39 anos, revela que começou a sentir muitas dores nas costas e nos ombros após a lesão (ele teve um tumor na coluna que deixou como sequela a paraplegia), até que conheceu o circuito adaptado e, após frequentar as aulas, suas dores pararam.

"Me ajudou socialmente. Eu não conhecia a vida de um cadeirante, não sabia como era o dia a dia dele e acabei interagindo com pessoas de idades diferentes, lesões diferentes. Isso me fez crescer não só como homem, como atleta e me ajudou bastante na minha recuperação", avalia Marcio, que já foi jogador de futebol.

Amizade

Gritos de incentivo, brincadeiras e solidariedade fazem parte das aulas semanais do circuito. O sorriso no rosto dos participantes acaba sendo mais visível que todo o esforço que eles fazem para completar os exercícios.

Henrique Alves, de 39 anos, caiu nas graças dos amigos de treino e acaba sendo o mais zoado, por sempre arrumar uma "desculpinha" para tentar não fazer algum exercício mais pesado. Ele diverte-se e assume que reclama de vez em quando.
Ele era atleta de alto rendimento, lutava MMA e boxe, quando foi baleado durante um assalto e ficou paraplégico há 3 anos.

FONTE: G1