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null Seminário Internacional Trabalho Seguro: especialistas discutem desigualdade e impactos da covid-19

O evento gratuito prossegue até sexta-feira (22/10), com transmissão ao vivo pelo canal do TST no YouTube

Tela dos participantes do segundo dia do seminário

Tela dos participantes do segundo dia do seminário

19/10/21 - O segundo dia do 6º Seminário Internacional do Programa Trabalho Seguro da Justiça do Trabalho, nesta terça-feira (19/10), teve início com a conferência “Desigualdades sociais, crise e pandemia”. A palestrante, Helena Hirata, é diretora emérita de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica, na França, e pesquisadora do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP). O ministro Mauricio Godinho Delgado, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), presidiu a mesa.

O seminário, promovido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e pelo TST, tem transmissão ao vivo pelo canal oficial do TST no YouTube.

Precarização 

A pesquisadora apresentou os dados de sua pesquisa de campo sobre os cuidadores de idosos no Brasil, na França e no Japão. Segundo Helena Hirata, houve um aumento significativo da precarização do trabalho durante a pandemia, mas a crise não atinge igualmente toda a população trabalhadora. “O crescimento da informalidade, da precarização e do desemprego, com a pandemia, afetou, ainda mais, mulheres, jovens e negros”, afirmou. “Percebemos aqui, claramente, uma desigualdade na divisão social, racial e de gênero”.

Confira a conferência na íntegra:


Saúde do trabalhador 

O painel “As empresas frente à pandemia e sequelas da covid-19”, presidido pelo ministro Claudio Brandão, foi aberto com a professora assistente de Neurologia da Universidade de Campinas (Unicamp), Clarissa Lin Yasuda, que falou sobre “Sequelas da covid-19, repercussões na atividade do trabalhador e propostas de reabilitação”. 

Ela apresentou os resultados de pesquisa realizada com 600 bancários acometidos pela covid-19, fazendo um recorte sobre a capacidade de trabalho no pós-covid e as possíveis alterações neurológicas. O estudo demonstrou que a capacidade laboral foi afetada, de forma considerável, por sintomas como fadiga, ansiedade e depressão. 

“Esse conjunto de sintomas é multissistêmico”, assinalou. “O que precisamos fazer agora, para melhorar a qualidade de vida desses trabalhadores, é investir, de forma urgente, na reabilitação. Precisamos de pessoas dispostas a estudar as melhores maneiras de fazer essa reabilitação neuropsicológica“.

Assista a palestra na íntegra :

 

Investimentos 

O segundo painelista foi o médico Eduardo Arantes, especialista em Medicina do Trabalho e diretor técnico comercial da Empresa 3778, que apresentou o tema “As tendências dos investimentos na prevenção nos serviços de segurança e saúde do trabalhador”. Segundo ele, integrar a atenção primária e a saúde ocupacional talvez seja a grande tendência dos investimentos empresariais para os próximos anos, o que implica alto custo, em razão da necessidade de profissionais extremamente qualificados. ”O grande desafio é saber como atender esses trabalhadores no gerenciamento da sua saúde e do seu histórico médico”, ressalta.

Confira a palestra na íntegra:


Resiliência 

“A construção de sistemas resilientes de segurança e saúde do trabalhador nas empresas” foi o tema da última painelista, Márcia Bandini, docente da Área de Saúde do Trabalhador do Departamento de Saúde coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ela destacou que, no cenário atual, a resiliência pode ser vista como a capacidade de uma adaptação rápida e adequada. “A pandemia modificou, de maneira muito significativa, as condições precárias e desiguais de trabalho, com impacto direto na saúde mental dos trabalhadores”, disse.

Segundo ela, a assistência a todas essas pessoas não pode ficar restrita às empresas privadas. “A pandemia mostrou a urgência de uma atuação mais integrada e colaborativa com o Sistema Único de Saúde (SUS) e a vigilância de saúde epidemiológica e de saúde do trabalhador”, avalia. "As mudanças exigem ajustes constantes nos programas, e é preciso que nos adaptemos, incorporando novas tecnologias com ética e conhecimento científico atualizados".

Assista a palestra na íntegra:


 Assédio moral 

Durante o evento, foi exibido a edição do programa “Jornada” que tratou da questão do assédio moral no ambiente de trabalho. O programa é uma produção da Coordenação de Rádio e TV (CRTV) do TST, com supervisão da Secretaria de Comunicação Social.

Programação 

O seminário continua até sexta-feira (22/10). Confira a  programação.

(AM/CF)

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